terça-feira, 23 de dezembro de 2008

NAÇÃO CRIOULA E A TEORIA DE BAKHTIN



RESENHA

Nação Crioula de autoria de José Eduardo Agualusa, autor nascido em Angola com amplo conhecimento daquela realidade e profundo interesse pela realidade brasileira, mostra o romance que ocorreu no século XIX entre Fradique Mendes, um aventureiro português e Ana Olímpia Vaz de Caminha, uma figura capaz de enriquecer qualquer narrativa pela vida cheia de situações diferentes e antagônicas, pois embora nascida escrava foi uma das mulheres mais ricas e poderosas daquela região africana de cultura portuguesa, ou seja, Angola.
É importante ressaltar que Fradique Mendes é um personagem de Eça de Queirós que Agualuza tomou por empréstimo para personagem central de seu romance incluindo na sua narrativa o próprio Eça de Queirós. Misturam-se personagens e pessoas reais.
A história se desenrola entre 1868 a 1900 e é contada através das cartas trocadas por Fradique Mendes e sua madrinha, Madame Jouarre, entre ele e Ana Olímpia e com Eça de Queirós.
Nas cartas relata seu trânsito entre personagens ricos, pobres, do clero, malfeitores, passando por situações inusitadas desde sua chegada em Angola, sua, às vezes, turbulenta permanência, o encontro casual com Ana Olímpia, por quem de imediato nutre um sentimento especial e todo o suspense – poderia dizer drama – que envolve sua amada até poder libertá-la para com ela viver.
Fradique não tem um trabalho, vive da mesada que sua madrinha lhe envia, mesmo assim tem uma vida de regalias em Angola. As cartas narram os episódios ocorridos em Angola de 1868 a 1876. Posteriormente, viaja para Pernambuco naquele que talvez fosse o último navio negreiro da época, o NAÇÃO CRIOULA, para fugir de seus perseguidores e de Ana Olímpia, pois suas vidas corriam perigo.
A partir daí suas missivas são de Olinda para onde se transferem, a princípio, para casa de amigos e, mais tarde, para uma propriedade que adquire na Bahia onde passa a viver de forma abastada reproduzindo a vida de muitos senhores com quem tivera contato em suas andanças, com escravos e bens. Lá tem uma filha, mas não permanece no Brasil. Posteriormente, vai para a França, onde morre.
Ana Olímpia e a filha Sophia fazem o caminho de volta para África.
O romance termina com uma carta de Ana Olímpia a Eça de Queirós onde ela relata a sua história.


A DIALÓGICA DE BAKHTIN E O DISCURSO ROMANESCO
As imagens romanescas fundamentais são representações dialogizadas interiormente - das linguagens de outros, dos estilos, das concepções de mundo. (BAKHTIN, 1988, p.367) “Todo romance, em maior ou menor escala, é um sistema dialógico de imagens” (BAKHTIN, p..371). No seu processo de surgimento e desenvolvimento inicial a palavra romanesca refletiu a antiga luta de tribos, povos, culturas e línguas, ela era uma ressonância completa dessa luta (BAKHTIN, p 371).
Bakhtin contrapõe-se aos seus contemporâneos que colocavam os personagens como aqueles de uma fotografia, isto é, numa cena muda. É a linguagem o campo potencial de representação das tensões sociais, inclusive as provocadas pelo desajuste entre produção social e apropriação privada (MACHADO, p.284).
Bakhtin começou seus estudos sobre Dostoievski com seu romance polifônico que foi o núcleo dos estudos de Bakhtin.
Para Bakhtin o “romance é um texto característico de um estágio na história da consciência não porque indica a descoberta do EU, mas porque manifesta a descoberta do outro pelo próprio EU” (M.HOLQUIST, 1990:75, apud MACHADO, p.286).
O romance é multiforme e inacabado e mostra em si vários discursos, gêneros e linguagens. Bakhtin não acreditava que princípios canônicos rígidos pudessem dar conta de todos os aspectos multiformes do romance e resultar numa poética consistente.
Para ele o caráter épico do romance situa-se no uso da voz, que Bakhtin estudou nos procedimentos de transmissão do discurso de outrem, do discurso bivocalizado e do romance polifônico (MACHADO, p.288).
Vamos citar três particularidades fundamentais que distinguem o romance de todos os gêneros restantes, segundo Bakhtin:
1. A tridimensão estilística ligada à consciência plurilíngüe que se realiza nele;
2. Transformação radical das coordenadas temporais das representações literárias do romance;
3. Nova área de estruturação da imagem literária no romance, justamente a área de contato máximo com o presente (contemporaneidade) no seu aspecto inacabado (BAKHTIN, 1988, p.404).
Os aspectos acima citados estão ligados entre si e refletem a mudança da sociedade patriarcal e fechada em direção às novas condições de relações internacionais e de ligações interlingüísticas, que podemos dizer ocorreu não só na Europa no século passado, mas continua ocorrendo permanentemente, com o desvelamento, se assim se pode chamar de outras culturas, pelo processo midiático global cada vez mais intenso.
Terminou o período da “coexistência surda e fechada das línguas nacionais”. (BAKHTIN, 1988, p.404)
O romance se formou e se desenvolveu nas condições de uma ativação aguçada do plurilingüismo exterior e interior. Esse é o seu elemento natural. É por isto que o romance encabeçou o processo de desenvolvimento e renovação da literatura no plano lingüístico e estilístico (BAKHTIN, 1988, p.405).
O romance, anteriormente identificado com gêneros inferiores não mais é assim considerado.
O romance está ligado aos elementos do presente inacabado que não o deixam enrijecer, permitindo sua permanência e adequação ao tempo e espaço. Esta contemporaneidade, entretanto não exclui a narrativa do passado.
O romance mantém estreita relação com os gêneros extraliterários-a vida corrente e a ideologia. (BAKHTIN, p.422)
O romance, em sua evolução, passou a retratar tanto um sermão, quanto um tratado filosófico, quanto questões políticas ou, ainda, questões íntimas, interiores, através de cartas, diários e bilhetes. Entra em relação com o acontecimento que está se desenvolvendo agora, no qual o leitor também está ligado de maneira substancial.
Para concluir, vamos às conclusões de Bakhtin sobre o romance:
1. O romance tem caráter inacabado;
2. Se formou no processo de destruição da distância épica, no abaixamento do objeto da representação artística ao nível de uma realidade atual, inacabada e fluída;
3. Com ele se originou o futuro de toda literatura;
4. É acanônico. É um gênero que eternamente se procura, se analisa e que reconsidera todas as suas formas adquiridas.


CONCLUSÕES
O romance Nação Crioula de José Eduardo Agualusa mostra em seu desenrolar vários discursos, gêneros e linguagens. Nele estão presentes as vozes dos intelectuais (inclusive pela intertextualidade óbvia com o “empréstimo” do personagem), do homem comum, do escravocrata, do negro escravo, da mulher – escrava ou liberta.
Mostra o discurso familiar, a voz do oficial, do militar, diferente do discurso do submisso.
Apresenta as três peculiaridades anteriormente citadas, nas quais salientamos o aspecto inacabado, a tridimensão estilística ligada à consciência plurilíngüe que se realiza nele, além da transformação radical das coordenadas temporais.
Constata-se a mudança da sociedade fechada para uma sociedade internacional, na qual os personagens têm livre trânsito e, conseqüentemente, mantendo relações interlingüísticas.
O romance em questão apresenta em si aquelas particularidades referentes à vida corrente e a ideologia. Utilizou o autor de recursos que os romancistas começaram a utilizar já em épocas mais evoluídas do romance, que são as cartas.
O próprio nome nos indica a amplitude do seu conteúdo, pois nação não está afeita a limites territoriais, mas sim a sentimento coletivo; crioula nos remete à mestiçagem. Mestiço é um outro sujeito que se constitui a partir de dois sujeitos distintos, guardando em si elementos de cada um , mas que se constitui em uma terceira voz distinta daquelas que o formou. A partir do título já temos subentendida a polifonia de Bakhtin. Encontramos a voz de uma África negra, uma África que se diz portuguesa, de uma Nação portuguesa colonizadora da África , que se tem superior e de um Brasil mestiço que por vezes parece ignorar sua parcela negra.
Temos no corpo do romance, histórias, questionamentos, críticas à história, críticas sociais, dramas pessoais que espelham a dialógica de Bakhtin e a polifonia núcleo de seus estudos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
AGUALUZA, José Eduardo, Nação Crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes. Rio de Janeiro: Gryphus, 2001.

BAKHTIN, Mickhail. Questões de Literatura e de Estética. 3.ed. SP: UNESP / HUCITEC, 1998.

MACHADO, Irene A. O Romance e a voz. A prosaica dialógica de Bakhtin, Imago / FAPESP.



sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CICLOS



Foi no ano de 1986 que eu, um minúsculo pinheiro, fui comprado e plantado em um pequeno jardim na praia do Laranjal.
A princípio não havia exigência nenhuma, pois era muito novinho. Não tinha que fazer nada. Nem dar sombra, nem abrigar pássaros ou outros animais.
Como o funcionamento de todo ser em desenvolvimento, a princípio, parece ser o mesmo, só tinha que crescer descobrir o mundo, me deixar descobrir pelos outros, experimentar possibilidades, encantar-me com as descobertas que abrem inúmeras possibilidades a serem vivenciadas, mas que ao serem escolhidas, de imediato, excluem outras. Não deveria ser assim, pois o sol não exclui a lua nem as estrelas, o dia não exclui a noite e ambos aceitam a chuva e os ventos, fugindo da rotina e aceitando as mudanças que com eles advêm. Generosamente, dividem espaços, olhares, encantamentos daqueles que tem olhos de ver, coração à flor da pele e alma cigana que é capaz de estar em todo lugar, que não tem território próprio porque todo território é seu.
Foi possível crescer em várias direções; para o alto buscando o céu, para o lado espalhando galhos que são braços, que protegem e abraçam de maneira carinhosa e acolhedora, para baixo fincando fortes raízes que se firmam dando suporte a tudo aquilo que está acima da terra e abaixo do céu (ou além dele), à vista dos olhos, ao alcance do olfato apurado capaz de distinguir cheiro de chuva molhada, de fruto maduro, de flor desabrochando, de ouvir o canto do sabiá, do bem-te-vi e do beija-flor que plana no ar, leve como os pensamentos inocentes e puros das crianças.

Toda a existência cresci dentro daquilo que era esperado, proporcionando segurança, proteção, aconchego, alegria, sombra sob a qual repousaram corpos cansados e mentes sonhadoras que ali, a meus pés arquitetaram idéias, sonhos que ganharam o mundo em cada tentativa desafiadora ou conquista obtida.
Os espinhos cutucaram (é para isto que servem, para desinquietarem, despertarem) cumprindo seu papel, mas também tiveram anjos que abençoaram, braços e abraços repletos de ternura e de alegria com os balanços das crianças que sustentei fortemente em todos os verões quando alegres brincavam ao redor, penduravam cadeiras ou simples cordas para se balançarem ou, ainda, quando com suas pernas frágeis tentavam nos braços subirem para ver o mundo mais além.
Estes mesmos braços carregaram pacotes e luzes que alegraram e iluminaram muitos Natais.

Apesar de não ser mais criança, de ter assumido proporções de um gigante, a dúvida, o questionamento (que é a mola propulsora de quem não se conforma com as frases feitas, os cenários estanques, os sentimentos enquadrados em moldes pré-determinados e com o futuro sendo resultado de uma imutável operação matemática) começaram a me assaltar, pois o fato de crescer demais começou a inquietar, a perturbar e a gerar desconforto.

É necessário ter o olhar bem mais além da linha do horizonte, querendo sempre transpor barreiras, desafiando o já dito e questionando o costume, a norma, o construído, o sentido (nas entrelinhas, no visível e no não dito, em outros dizeres que permeiam o caminho e que podem se constituir em novos saberes) criando novos desafios e novos espaços de experimentação. Este percurso pode mostrar o medo, instalar a dúvida do caminho a ser trilhado, desejando retornar a territórios conhecidos, identificados que apresentam características de normalidade, de estabilidade, de segurança, numa total contradição entre a segurança do conhecido e as inúmeras perspectivas do inexplorado.

A experimentação, o desafio do novo significa a janela que mostra novos horizontes e o caminho para experimentar novos modos de vida, que poderão até não se constituírem naquilo que é esperado, ou no vislumbrado, mas que servirão para isto mesmo, mostrar o que vale a pena.
Nesta etapa do percurso intensificam-se as dúvidas, as incertezas, face à internalização dos conceitos que constituíram o sujeito e a vontade de arriscar-se para descobrir novos ensinamentos, novas finalidades, não ignorando durante a trajetória a presença constante de um superego controlador ou a culpa por abandonar velhos paradigmas que representam ensinamentos aprendidos como dogmas, mas que nos dias de hoje já não possuem o mesmo significado.

Afinal, crianças crescem, adultos envelhecem a vida muda, as pessoas e os espaços são modificados. Todos morrem só que em momentos diferentes, cada um há seu tempo, quando seu ciclo termina
Em virtude disto nesta trajetória-espaço,tempo- de ser e não ser, de subir e chegar às nuvens ao mesmo tempo em que aprofunda raízes, de crescer e se deixar podar, de viver e de morrer, de ser árvore frondosa ou rio que corre e não deita raízes, nos tornamos capazes de (mesmo com o coração partido, a seiva a sangrar) deixar-se cortar para em cada labareda da chama da vida ou do fogo ardente e gélido da morte que acompanha o homem por toda a eternidade , esquentar os corações, virar fumaça que sobe para voltar em gotas de chuva que regam as sementes que tornarão a brotar num ciclo interminável de vida, doação, morte e renascimento.
Enquanto isto, outro tipo de raiz, não aquela plantada no solo, mas a que plantamos no coração daqueles que servimos permanece viva, nutrindo o espírito que se eleva por entre as nuvens, as quais agora vemos de outra dimensão.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

PARECER

Documento em Estudo.

Discurso e relações de gênero: romper com o senso comum e instituir sentidos plurais. Possibilidades de análise de um corpus.
Vera Lúcia Pires[1]


A sociedade vive em constante mutação, em decorrência da rapidez da informação, da eficácia das tecnologias e das múltiplas relações que se estabelecem.
As tecnologias evoluem muito rapidamente sem que o homem tenha tempo e condições de assimilar todos estes aspectos inovadores e transporta-los para o seu cotidiano colocando-os à sua disposição de modo a melhorar suas relações, tanto no âmbito pessoal quanto familiar e profissional.
Existem dados culturais muito fortes que não se modificam apesar destas transformações que ocorrem na sociedade como um todo, por isto a pertinência do artigo acima citado que aborda as relações de gênero no discurso que Maingueneau (2006: 43) diz que “não pode ser o objeto de uma abordagem puramente lingüística”.
O objetivo da autora é analisar o discurso de gênero (grifo da autora) marcado culturalmente em todas as sociedades, que constrói a representação das diferenças sociais de forma hierárquica entre os sexos com base nas diferenças biológicas.
As diferenças biológicas existem, evidentemente, mas não justificam a hierarquização, o desrespeito e a discriminação que perduram de forma escancarada-apesar das conquistas sociais das mulheres-em determinadas regiões, por cultura, ou religião e em outras de forma velada, subliminar nos textos, nas revistas, nos jornais ao reproduzirem notícias do cotidiano, nas propagandas veiculadas em qualquer tipo de mídia, de maneira tão inteligente que passa despercebida por aqueles que não tem maior discernimento para captar tais mensagens. Deste modo, justifica-se a autora fazer a análise como um “objeto lingüístico–semântico, social e histórico”. Utiliza como marca lingüística os operadores modais, cuja análise será integradora com destaque para os elementos intradiscursivos e interdiscursivos.
O arquivo discursivo constitui-se de peças publicitárias cujo enfoque temático são as mulheres, isto é, a representação do sujeito feminino na mídia publicitária impressa. Busca amparo, justificativa ou fundamentação teórica em Bakhtin, Orlandi e Pêcheux entre outros com os quais enriquece seu trabalho.
Os conceitos por ela enunciados ao longo do texto são de fácil entendimento para quem já tem algum conhecimento dentro da área em questão. Quem não transita por este contexto da análise do discurso, não teria condições de saber definir ou compreender o que é intradiscurso, interdiscurso, memória discursiva, processo parafrástico, processo polissêmico. Como o artigo é para publicação científica, se supõe que é perfeitamente compreensível para a coletividade acadêmica específica que com ele se defrontar.
A análise se processa na mídia impressa e dentro desta foi escolhido o espaço publicitário, que embora a pretensão de neutralidade propagada pela mídia, inexiste segundo a autora, pois se encontra sempre a manifestação do sujeito em qualquer elemento verbal.
Os textos analisados são aqueles onde são empregados operadores discursivos modais, que são aqueles elementos lingüísticos ligados ao momento da produção dos enunciados e que indicam o engajamento e os sentimentos do sujeito quanto ao seu discurso. (Koch, 1987 e 1992).
Com base em Thompson (1990) a autora analisa três aspectos que devem ser considerados para uma análise das formas representativas dos meios de comunicação; o primeiro diz respeito às circunstâncias socio-históricas específicas, o segundo relaciona-se com a construção do discurso e o terceiro tem a ver com os efeitos da recepção no interlocutor.
A preocupação da autora é de mostrar como a estrutura significante e os sentidos circulam no meio social, cruzando-se com as relações de poder - com as de gênero – e como são veiculadas pelas instituições da mídia.
Foram selecionados 10 textos de anúncios publicitários de jornais locais (considerando o domicílio da autora) e de revistas de circulação nacional. Destes, 07 foram veiculados tendo como referência o Dia Internacional da Mulher e o Dia das Mães.
Os textos foram devidamente analisados pela autora mostrando que através deles é possível perceber eficiência ao associar o elemento visual aos recursos lingüísticos como nos casos a seguir citados:
- comparação: mulher- flor- delicadeza (Visão Tradicional) = Mulher ser frágil e delicado
- Todas (modal) com a repetição de nomes-indica universalização da afirmação
-anunciante (loja de eletrodomésticos) lugar privilegiado ocupado pela mulher dentro da visão do anunciante, extensão da casa = lugar da mulher em casa.
Sucessivamente a autora vai analisando os textos em cuja maioria se percebe uma visão retrógrada, sectária, discriminatória, mantendo a mulher como rainha do lar, frágil, infantilizada, ignorando emancipação econômica, mantendo estereótipos evidenciando uma posição sócio-histórico-cultural conservadora por parte do sujeito do discurso, ocorrendo julgamento de valor ideológico que conduz ao tradicionalismo cultural. Dos 07 textos destacados, em 05 preponderam a concepção acima referida.
Em outros textos há inovação e a cadeia do enunciado rompe a linearidade discursiva do seu sentido tradicional permitindo que outros sentidos sejam possíveis, pois eles não se esgotam no dito, [grifo nosso] mostrando através da escolha dos textos e da correta e embasada análise a possibilidade de romper com o senso comum e instituir sentidos plurais.

Isabel Cristina Silva Vargas
Aluna do Curso de Pós Graduação em Linguagens Verbais e Visuais e suas Tecnologias – CEFET





[1] .Laboratório Corpus: Fontes de Estudos da Linguagem. GRPESQ/CNPq Discurso, História, Gênero e Identidade. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
RESENHA CRÍTICA
UM ENSAIO SOBRE O APRENDER E O ENSINAR NA PROBLEMÁTICA DA TRANSFERÊNCIA DO CONHECIMENTO
Amanda Eloina Scherer

Contextualizando uma transgressão disciplinar

O artigo acima é parte da Coleção Ensaios- Mestrado em Letras ,1999 e transcreve a Conferência proferida no IX Novas Propostas para o ensino da Linguagem, além de parte do texto servir de material de suporte para o reencaminhamento do Seminário Novas Propostas como Programa de Extensão.
A temática abordada é a transferência de conhecimento no domínio do ensino e da aprendizagem na formação de professores.
Contextualiza a problemática como parte de um projeto educativo que tem por objetivo o questionamento, não sendo algo pronto, definitivo. Tais questionamentos envolvem: como se efetuam as aprendizagens, como elas podem ser utilizadas, se é possível falar só em transposição de conhecimento ,se pode ser definido o conhecimento a ser transferido em detrimento de outros, ou se existem conhecimentos mais ou menos transferível.
Outros dados surgem a partir a partir dos questionamentos.
O ensino aprendizagem envolve dimensão cognitiva, afetiva, social.Num dado momento o aluno se libera de um laço para estabelecer outro.
Como situar as aprendizagens “lógicas”, metodológicas e prioriza-las?
Quais alternativas buscar?
Outro questionamento.
Qual o papel da interdisciplinaridade? Existem conhecimentos que servem de matrizes nas diversas aprendizagens de uma mesma disciplina?
A pesquisa teórica determina a ação pedagógica e vice-versa?
A autora reafirma seu posicionamento da indissolubilidade da teoria/prática e prática/teoria.É questão importante o fato do sujeito ser unidade mantendo a diferença, ter e aceitar a própria história e inventar o próprio futuro. Aparece aí o caráter histórico do homem e dinâmico do conhecimento através da interrogação de como transmitir estes valores em prática criadora de vida e não como meio de perpetuação de distinção social. Coloca ainda em confronto o saber constituído e o homem que precisa mediar para se sentir como sujeito. A produção do saber neste caso não é só produzida pelo professor e pelo aprendiz, mas parte de suas próprias histórias e da sociedade. No decorrer do artigo situa o que é sua concepção de nova, de proposta e de ensino e linguagem denominando a sua abordagem de intercultural, que segundo Porcher (1997), por ela citado, é construir relações, articulações,conexões entre as diversas culturas: a sua, a nossa e a do outro.
É um trabalho de construção de identidade cultural, no entendimento de Lipiansky (1992).É também um trabalho de socialização que envolve a linguagem, as representações sociais e a cultura que se interpenetram.Aborda o conhecimento entendido por ela como investigação permanente, dependente da experiência do sujeito e como processo social e ideológico.
O conhecimento acontece na inter-relação presente-passado-futuro,em uma relação dialógica e histórica, sempre em movimento de sentido e sujeito, constituído pelo, para e no sujeito.
O conhecimento não é estático, não é posto nem dado, mas está em movimento como a menor partícula do universo, que não é estático.
Para ela ocorre a transferência do conhecimento, na dupla dimensão :repetição,deslocamento, na atualização do passado, na situação do presente, que é o próprio deslocamento.
Os princípios são o manejo sem indução e o conhecimento.
Na transferência estão presente três ações - suscitar,instaurar,construir - que remete a uma construção permanente.
Ressalta o papel da família, da escola e da mídia na atualidade,sendo a escola o depositário da ética-discursiva de sua comunidade.
Classifica o aprendiz como profissional da aprendizagem, o professor como profissional do ensino que assim se tornaram via preparação para a vida em uma relação dialógica. A sua atuação se dá pela competência social que é definida como a capacidade de colocar em jogo a motivação, a antecipação, a utilização do que for adquirido. É conforme reafirma antes um processo dialógico que envolve estabilidade, responsabilidade, imagem positiva de si, esforço contínuo que se revelam no ato de aprender e de ensinar, num momento incompleto do sujeito pelo outro sujeito.
Encerra o artigo propondo a reflexão sobre o papel do aprendiz e o papel da formação de professores no contexto de final de século dominado pela globalização da economia e pelas novas leis de mercado.

Síntese Pessoal

Gostei do texto, salientando a transferência como resultante do processo dialógico, dinâmico baseado em questionamentos , considerando a realidade histórica e os diversos elementos implicados nesta dinâmica.
É importante frisar que é necessário para que este processo de transferência de conhecimento ocorra é preciso que o professor tenha conhecimento deste conceito e do comprometimento implicado nisto, fazendo-o repensar seu papel, sua atuação que está relacionada diretamente com a atuação e/ou resposta do aluno.Voltamos àquela concepção de aprendiz para ambos os pólos da relação, na qual o professor tem de se colocar como elemento também em movimento, em construção e não como depositário de conteúdos, pois o vocábulo transferência que é utilizado em vários campos do conhecimento denota a idéia de transporte, de deslocamento, de substituição de um lugar para outro conforme o artigo.
Freud aponta a transferência como fenômeno psíquico que se encontra presente em todos os âmbitos das relações com os semelhantes, o que nos reporta ao texto em análise quando a autora fala que em um dado momento o aluno se libera de um laço e estabelece outro. O estabelecimento destes laços, vínculos com o professor vai ser determinante para uma melhor e mais eficaz transferência, pela identificação que ele consegue estabelecer.
Melanie Klein (1926) fala em vínculo e transferência de papéis [como dissemos acima] que reforça a importância da família, da escola e do professor como partes de um envolvimento afetivo cujos vínculos estabelecidos favorecem a transferência de conhecimento.
É um processo que não dissocia a teoria da prática, que ocorre de forma integrada, interdisciplinar, fundada num sistema ético-discursivo das relações.
Acima de tudo é uma concepção moderna, atualizada, dinâmica que abre espaço para inclusão , para crescimento e troca mútua.


Bibliografia

FREITAS,A. A importância do Conceito de Transferência na relação professor-aluno. Artigo publicado em 2008.07.02 site http://www.ampliareducacional.com.br/ acessado em 2008,07.08
QUESTIONAMENTOS SOBRE CURRÍCULO



A visão inicial de currículo que tinha é uma visão adquirida tempos atrás que consistia numa visão não tão abrangente. O currículo consistia num núcleo de conteúdos fixo , mas devia ter como característica a objetividade e flexibilidade.Através de metodologia adequada deveria promover a preservação da individualidade tomando por base o ritmo próprio da aprendizagem, promover a modificação de mentalidade, a ampliação do horizonte cultural através do desenvolvimento das potencialidades do aluno. Não tinha a amplitude atual. Estava relacionado às teorias tradicionais envolvendo ensino, aprendizagem, avaliação, metodologias, didática, organização, planejamento, eficiência e objetivos.
A visão que tenho agora é de um currículo que é abrangente, inclusivo, com representação de questões de gênero, raça, etnia, sexualidade. Está em consonância com o tipo de sociedade que almejamos,mais justa,mais democrática e que formem verdadeiros cidadãos .
Um currículo nestes moldes é capaz de formar sujeitos críticos, autênticos, dispostos a transformar realidades e não apenas bons receptores de conteúdos passados e assimilados sem maiores reflexões sobre o contexto em que se produziram sua relação com o desenvolvimento da sociedade como um todo e sua repercussão e/ou conexão com o presente, de modo que ele seja capaz de se posicionar de forma crítica.
É mais fácil o aprendizado quando parte de coisas mais próximas do cotidiano do aluno, de situações que ele facilmente identifica e entende, portanto há que se considerar as circunstâncias, as vivências, a situação familiar, econômica e social para a partir delas levá-lo a questionamentos.
O professor tem que ser mais que um simples transmissor de dados. É necessário que ele estimule o pensamento, a análise, a comparação, a partir do que está sendo apresentado e a realidade do aluno. Imbuído de sua autoridade pedagógica tem de ser mais do que alguém que discorre sobre determinado assunto, mostrar que vive suas convicções, levando o aluno a formar as suas, baseado na observação e na análise crítica. Ele tem de ser exemplo, tem que falar uma linguagem na qual o aluno identifique respeito, sabedoria, comprometimento, verdade.
O aluno não pode funcionar como simples receptáculo de um saber despejado sobre si. Tem de ser considerado como agente, um transformador em potencial, muitas vezes oriundo de realidades totalmente diversas, com fortes heranças culturais. O educador tem de ser capaz de lidar com estas diferenças, inclusive diferentes linguagens (que por ser diferente, não significam que são erradas), não pode alimentar preconceitos, discriminações.
Deve estimular a interação da escola com a comunidade o que certamente contribuirá para a formação de cidadania democrática, envolvendo a todos no processo.
O educador não pode ter como objetivo resultados iguais, não pode desejar padronização em se tratando de educação, posto que deve considerar diferenças individuais, além de respeitar o ritmo próprio.
Não podemos esquecer que uma boa educação passa também pela valorização do professor.
A educação tem que levar o aluno a pensar, a refletir, a formar conceitos, ao discernimento, em última análise, aplicando o que foi elaborado para alterar sua própria realidade, visando inserção e crescimento. Através da educação realmente transformadora (geradora de paz social) ele é capaz de ascender socialmente, modificar todo um contexto e viver melhor com maiores e melhores oportunidades de realização pessoal e profissional.
RESENHA CRÍTICA


O CONCEITO DE VERDADE E SUA UTILIZAÇÃO NO JORNALISMO

Iluska Coutinho

O presente trabalho solicitado pela Prof. Clóris Dorow sobre Enunciação, devendo ser apresentado em forma de resumo, com análise crítica embasada em autor por ela indicado da respectiva disciplina.
Escolhemos tal artigo no site www.metodista.br/unesco/gcsb/index.htm
Cujo tema nos interessa, ou seja, verdade, notícia, enunciação. A autora do trabalho é jornalista, doutora em comunicação Social e Mestre em Comunicação e Cultura.
O trabalho da autora está dividido em quatro partes que são:
O conceito de verdade e sua utilização no Jornalismo
A verdade e as línguas originárias
O problema da verdade e suas concepções na filosofia
A verdade no Jornalismo
O artigo tem como proposta refletir sobre o conceito de verdade através da análise de suas raízes filosóficas com destaque especial sobre a significação da verdade nas línguas originárias o que tem importância extremamente relevante para a qualificação do trabalho jornalístico Estuda as aproximações entre os conceitos de verdade e realidade.
Na primeira parte tenta buscar os diferentes entendimentos e apropriações sobre o que seria de fato a verdade. O conceito de fato está muito relacionado ao de verdade.
Busca como objetivo do trabalho compreender de que forma o conceito de verdade é experimentado pelos jornalistas e como é usado para produzir a notícia.
Na segunda parte conceitua a verdade a partir das suas acepções nas línguas que embasam o pensamento ocidental. Diz sabiamente no seu texto que é indispensável entender a origem dos discursos, as construções históricas que permitem a ocorrência de enunciação [grifo nosso] no tempo presente compreendida como verdadeira como no caso das matérias jornalísticas.
Uma importante constatação da autora:
O uso dos tempos verbais é sinal de diferenciação entre as formas de enunciar a verdade nas L.originárias. Na origem latina verdade é,”Na verdade semântica veritas”, histórica e relacionada ao passado, ou refere-se a um tempo que precede sua construção no momento da enunciação.
Para o grego o significado é “alethéia” cuja significação é desvelamento, conceito que liga ao presente.
Para os hebreus tem o mesmo significado de “emunah” , mesma origem de amém e se dirige a uma noção de porvir.Há diferença no entendimento de verdade para gregos e hebreus. Para os primeiros “um ato de revelar” para os hebreus é desconfianças.
Para a lógica o interesse se prendia na correção e/ou coerência semântica do discurso, da enunciação.
Aborda em outra parte do texto a verdade e suas concepções na filosofia.
Para os filósofos a verdade absoluta é Deus.
O que definiria um enunciado como verdadeiro para alguns é a adequação, para outros a correção e ainda para um terceiro grupo fundado em uma relação nominal.(Hanna Arendt :2000)
Para Ferrater Mora as concepções dependem das concepções das diferentes culturas.

Na concepção moderna desenvolveu-se a concepção idealista. Aconcepção de verdade está ligada a um tempo histórico.Surge a concepção de verdade lógica e gnosiológica. A distinção é o uso do vocábulo em dois sentidos . No primeiro caso se refere a uma proposição e no outro a uma realidade externa a sua enunciação.
No primeiro caso a proposição verdadeira é diferente da falsa,no segundo a realidade verdadeira difere da aparente.
Para Platão a verdade se aplicava primeiro ao objeto, ao sujeito e depois ao enunciado.
Aristóteles diz que a verdade estaria ligada ao ato de dizer. Assim não existiria verdade sem enunciado, mas este não basta a si mesmo como verdade. Pressupõe a existência de uma materialidade exterior ao enunciado, verdadeiro ou não.
Kant diz que verdade é a “verdade do conhecimento”, pra Hegel a idéia é a verdade,não se constituindo nunca na expressão de um fato isolado ,mas sim uma verdade ontológica,indivisível.
Heidegger verdade são respostas que o homem dá ao mundo. Perde o critério de absoluto, indivisível, por isto usa no plural.
Foucault diz ser a verdade a expressão de uma determinada época, portanto, cada qual com sua verdade e seu discurso.
Para Nietzsche não há verdade, tudo é mentira. Verdade se resume a uma busca utilitária.
Aristóteles elaborou dois fundamentos de verdade, o primeiro é de que a verdade estaria no pensamento e na linguagem, o segundo é que a sua verificação é exterior a ela.
O conceito de verdade liga-se a cinco variáveis ou pressupostos:
1- correspondência e concordância;2-revelação ou eficácia;3- conformidade a uma regra ou verificabilidade;4-coerência;5-utilidade ou propriedade física.
A corrente de verdade como revelação tem duas correntes : a empirista e a teológica.
Para Hobbes o conceito de verdade é de natureza semântica.
Na verdade semântica o” ser verdade” e visto como um predicado de certo enunciado ou proposição (predicados metalógicos.A verdade e a falsidade são formais, não dependem do conteúdo. Também é possível ter situações empiricamente verdadeiras mas falsas na concepção lógica. A lógica seria a teoria do pensamento correto.Para os idealistas a verdade é a ausência de contradição, já a gnoseologia é a teoria do pensamento verdadeiro.

A Verdade no Jornalismo
Segundo Lustosa a notícia é o relato, não o fato, o que de acordo com a verdade filosófica a caracterizaria como expressão da verdade e não verdade absoluta.
Na verdade as pautas jornalísticas delimitam e recortam a realidade a se enunciada, além do enunciado ser uma interpretação do fato, que também é carregada de intencionalidade . Por volta dos anos 50 a imparcialidade foi estabelecida como princípio ético. Sodré alertava que “o jornal é menos livre quanto maior for a empresa”, opinião esta corroborada por Elcias Lustosa que diz:” por sua origem e pelos seus defensores a imparcialidade não passava, e não passa , ainda hoje,de mera retórica, sendo usada para preservar discurso e os interesses do próprio veículo.
Alguns editores se referem à verdade como uma abstração.Autores como Japiassu questionam:”Caso existam informações objetivas quem controlará a objetividade destas informações?” Segundo ele não haveria informação e conhecimento isentos de uma intencionalidade.
Conforme Vita “de modo algum deve misturar interpretação subjetiva com descrição do fenômeno.
Embora todas as prescrições e expectativas segundo a autora do texto na prática seria definida como o ideal de Max Weber, isto é como padrão referencial a ser atingido.
Os jornais são tidos apesar da impossibilidade da imparcialidade , como instrumento de descrição da realidade por boa parcela de público o que fornece o status de verdadeiro a seu conteúdo.
Misturam-se , no jornalismo os conceitos de verdade e ética
. No afã diário a verdade poderia ser considerada como fundamento da realidade, com a confirmação ou confirmação dos dados que embasam uma notícia tida como verdadeira ou verídica.
Na filosofia foi Descartes que emitiu o conceito de realidade .As idéias como objeto do pensamento deveriam corresponder ao concreto, não ao ilusório, idéia esta confirmada por Kant.
Ao considerar a verdade jornalística como expressão da realidade ela está sendo alvo de interpretação filosófica que liga a verdade ao “desvelamento” o qual pode estabelecer distorção dos fatos ainda mais pelo fato da produção da notícia , nos tempos atuais , ocorrer em escala industrial, sem a real apuração dos fatos.

Como na maioria das vezes, os repórteres não se encontram nos locais dos fatos os manuais que norteiam as atividades jornalísticas das grandes empresas orientam pela coleta de mais de 02 fontes de informação.Embora todas as orientações ainda saem enunciados que indicam que a fonte não foi encontrada ou tentam apagar as marcas do enunciador para trazer legitimidade e credibilidade ao discurso.
Os críticos como Manuel Chaparro em Pragmática do Jornalismo lamenta a falta de obrigatoriedade da busca da verdade, aliada à supressão de funções que tem de ser abarcadas por outros profissionais que acumulam funções numa tentativa de dar conta do processo industrial de produção. Encontra-se ainda críticas no que tange a perda de valores jornalísticos em função do marketing, da publicidade que sem dúvida limita muito a independência e imparcialidade quando por trás de um fato estão grandes marcas e grandes quantias envolvidas.
Grupo de Jornalistas autodenominado de “Comitê dos Jornalistas Preocupados” realizou 21 discussões e uma pesquisa com 300 jornalistas resultando em uma publicação na qual diz que os próprios jornalistas nunca tiveram uma noção clara do que querem dizer com veracidade. Grande parte dos jornalistas sempre desvalorizou o ensino profissional, ficando as teorias só nas cabeças dos acadêmicos.
Na realidade , a prevalência e observância deveria ser com relação ao artigo sétimo do Código de Ética aprovado em 1987 no Congresso Nacional de Jornalistas que diz que “o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pautar pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação.”



SÍNTESE PESSOAL

Ao ter que escolher um texto sobe enunciação para o presente trabalho escolhemos justamente um texto sobre a atividade jornalística por ser este um assunto que nos interessa e sobre o qual pretendemos realizar nosso trabalho de final de curso.
Apesar da prescrição de objetividade e exatidão como norteadores da atividade jornalística, Benjamin (1983) diz que “informar é abreviar” e Corrêa completa dizendo “é também escolher o que vai ser considerado como excesso”. Ora se existe escolha, existe posicionamento o que por si só já coloca por terra a idéia de objetividade e neutralidade porque vamos encontrar a marca do enunciador no enunciado. Isto vai de encontro a colocação de Benveniste ao dizer “enunciação é a colocação em funcionamento da língua por um ato individual de utilização.”Propõe a marcação da subjetividade na estrutura da língua.
O novo Manual da Redação da Folha de São Paulo traz no verbete objetividade o que se segue: Não existe objetividade em jornalismo. Ao escolher um assunto, redigir um texto e edita-lo, o jornalista toma decisões em larga medida subjetivas, influenciadas por suas posições pessoais, hábitos e emoções. Isto não o exime, porém da obrigação de ser o mais objetivo possível. Para relatar um fato com fidelidade, reproduzir a forma, as circunstâncias e as repercussões, o jornalista precisa encarar o fato com distanciamento e frieza, o que não significa apatia e desinteresse.

O Manual fala ainda na Exatidão como “qualidade essencial do jornalismo”.
Não é possível desconsiderar também a função social do jornalismo e ao mesmo tempo é um produto de consumo inserido em um sistema. Daí não pode-se considerar a transparência da linguagem considerando que ela determina e se encontra em um contexto institucional.Há que se considerar também a carga avaliativa que o jornalista transfere para seus textos.
Não é possível ignorar que a linguagem é constituída por um aspecto material (a língua,) atravessada pela história e pela ideologia e que isto se faz presente na enunciação. Conforme Bakhtin por nós estudado no decorrer das aulas “o ser humano não pode ser concebido fora de suas relações sociais, portanto a linguagem é social. Qualquer situação de comunicação (enunciação) será definida pelas reais condições de enunciação, ou seja, a situação social do momento.”.
Voltando a Benveniste a enunciação é a atividade lingüística daquele que fala no momento que fala. Então é possível identificar em cada enunciado realizado pistas ou marcas lingüísticas, que evidenciam o sujeito, visto que embora se encontre disperso no enunciado, é possível ser identificado.
Os fatos são a matéria prima do jornalismo e descrever um fato com correção e inteligência exige sensibilidade, informação sobre o assunto e conhecimento do idioma conforme Manual da Folha de São Paulo.
Isto nos leva a crer que por mais que o profissional trabalhe com objetividade, clareza, ética e busque revelar a verdade sempre vai ser possível identificar as marcas do enunciador no enunciado. A linguagem não é uma mera ferramenta de trabalho uma vez que possui extrema relevância na construção dos fatos.
Corrêa afirma que os fatos enquanto notícia é uma construção de visões.

Bibliografia:
MAINGUENEAU, Dominique. Termos-Chave da Análise do Discurso,Editora UFMG,2006
KRONKA, Gabriela Zanin. Jornalismo e questões de linguagem: a importância do Jornalista pesquisador, site: www.comciencia.br acessado em 05.03.2008.
Aragão, Verônica Palmira S. PAULIUKONIS, Maria Aparecida. As marcas da enunciação, site: www.filologia.org.br acessado em 11.06.2008.
BARBOSA, Marialva (COORD) GT HISTÓRIA DO JORNALISMO, II Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho, extraído do site www2.metodista.br/unesco acessado em 11.06.2008
REFLEXÃO



REFLEXÃO COM BASE NOS SEGUINTES TEXTOS:

Diferentes usos do Computador na Educação
Tecnologia e educação: o futuro da escola na sociedade da informação
Um modelo pedagógico para a utilização de espaços virtuais de aprendizagem

Através da leitura dos textos acima referidos pudemos constatar, primeiramente, que os três se complementam visto que abordam sobre um mesmo assunto, qual seja a utilização do computador e toda uma gama de tecnologias e suas amplas possibilidades como instrumento pedagógico , como um meio extremamente valioso de enriquecimento da aprendizagem. Abordam conjuntamente o papel do aluno e do professor.
O primeiro texto, de José Armando Valente fala nos pressupostos básicos para a efetiva implantação do computador na esfera pedagógica, que são:o computador, o software educativo (os programas que possibilitam a interação aluno-computador), o “professor capacitado” [grifo nosso] pois não adianta ter um professor que resista às inovações, que não enxergue a riqueza de possibilidade, que não domine o uso da máquina, que desconheça seus diferentes usos e, finalmente, o quarto elemento que é o aluno.
Para o autor o ensino pelo computador deve possibilitar e permitir que o aluno adquira o domínio sobre qualquer assunto ou área de conhecimento e não servir apenas como fator de propaganda e marketing da escola possibilitando o uso de computadores de 02 a 02 alunos durante 01 hora por semana, ou como forma alternativa em períodos ociosos.
A abordagem pedagógica oscila entre dois pólos, porém com os mesmos elementos e a maneira como é usada é que vai indicar a polaridade: em um lado o computador através do software ensina o aluno , sendo o computador encarado como um auxiliar que substitui o livro ou o papel e do outro o aluno ensinando o computador que ocorre através de linguagens específicas para isto (BASIC,Logo,Pascal) no qual o aluno representa as idéias de acordo com o software .O aluno pode através desta ferramenta resolver problemas desenhar, realizar tarefas, escrever e comunicar-se.
Podemos, então relacionar este posicionamento do autor com aqueles dados no texto Tecnologia e Educação:o futuro da escola na sociedade de informação que aborda o computador na escola como: Ensinante, Aprendente,como ambiente de aprendizagem e como ferramenta de aprendizagem, que já nos referimos no trabalho solicitado anteriormente.
Voltando ao primeiro texto o autor complementa as suas colocações enfatizando que o computador pode ser considerado em 03 acepções,nos dando um pouco de história, vantagens e desvantagens de cada uma das modalidades citadas salientando a sua relevância numa época em que muitas coisas são ensinadas hoje e como em um passe de mágica tornam-se obsoletas. Salienta a importância do aluno buscar a informação e transforma-las em conhecimento, transformando sua realidade e através das inúmeras possibilidades que poderão melhor se adaptar a cada um dos usuários.
As concepções de ensino e aprendizagem são:
O computador como máquina de ensinar (tutoriais,exercício-e-prática,jogos e simulação), o computador como ferramenta (o aprendizado ocorre por estar realizando uma tarefa por intermédio do computador),o computador como comunicador (transmissor de informações através de redes)
O terceiro texto verificado amplia as possibilidade dos dois autores dos livros citados acima enfatizando como os espaços virtuais de aprendizagem podem ser atraentes por apresentarem a possibilidade das atividades serem desenvolvidas individual e separadamente, bem como combinadas, agrupadas e integradas, proporcionando um novo espaço de modelo institucional.
Este enriquecimento ocorre pela viabilidade de misturar três tecnologias eletrônicas, a do computador, de multimídia e de rede, que tem por base tecnologias especiais para comunicação,transmissão exibição,busca,acesso,análise,armazenamento,realidade virtual e gerenciamento.
Juntas elas permitem que o computador realize diferente funções técnicas (10) que se transformam em funções pedagógicas e que por sua vez tem como resultado dez novos espaços de aprendizagem que são:

Novos F. Técnicas e Funções Pedagógicas Espaços de Aprendizagem
Apresentação da informação Espaços de Instrução
Armazenamento Espaços de documentação
Recuperação Espaços de Informação
Comunicação Espaços de Comunicação
Colaboração Espaços de Colaboração
Browsing Espaços de Exploração
Multimídia Espaços de Multimídia
Hipertexto e hipermídia Espaços de Hipertexto
Simulação Espaços de Simulação
Realidade virtual Espaços de Realidade Virtual

Desta forma constatamos que Petters transformou as ferramentas , aplicativos, linguagens, funções num grande ambiente propício a aprendizagem à exploração de todas as possibilidades do computador e do aluno.
Vale ressaltar que aqueles que pensam que isto pode ser motivo de extrair o professor deste contexto,erram pois o professor é peça de inegável responsabilidade e valor mas para isto é importante que ele próprio se conscientize disto e se coloque como aprendente, sempre disposto a crescer, a dominar a máquina , a tecnologia e encara-la como um aliado , não como um entrave, um concorrente posto que os avanços são irreversíveis e inegavelmente ricos.Embora muitos digam que a atualidade tem como característica a globalização e a ditadura do pensamento único, temos que perceber que, ao contrário, isto possibilitou conhecer as inúmeras diferenças, as minorias, a diversidade ao mesmo tempo em que no âmbito da aprendizagem permitiu agregar não só estas minorias como conceder-lhes autonomia pois tem inúmeras possibilidades de escolha que poderão ser utilizadas de forma até a diminuir a evasão escolar.
O assunto e os textos são interessantes mas temos que ter em mente que sempre o resultado da máquina será de acordo com o olhar que o professor e as instituições de ensino tiverem sobre ela e suas possibilidades, pois se o homem descartá-la –o que seria uma alienação na época atual- estará decretando um descompasso entre o ambiente pedagógico e a sociedade.